COOPERAÇÃO SUL-SUL —Iniciativa do MST para agricultura familiar é escolhida pela China entre 10 exemplos de IA que podem beneficiar o mundo

Fonte: Gama Livre — leia a matéria original

Sexta, 24 de julho de 2026

COOPERAÇÃO SUL-SUL

Iniciativa do MST para agricultura familiar é escolhida pela China entre 10 exemplos de IA que podem beneficiar o mundo

Desenvolvido na UnB, laboratório já beneficiou mais de mil camponeses e é o único representante da América Latina

BRASIL DE FATO

Pequim (China)

24.jul.2026

Mauro Ramos

Equipes da Universidade Agrícola da China, UnB e do MST na Fazenda Água Limpa. Novembro de 2024 | Crédito: Arquivo MST

O Laboratório de Agroecologia Familiar Digital, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi reconhecido pela

Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) da China

como uma das dez iniciativas de Inteligência Artificial (IA) desenvolvidas pelos chineses que podem beneficiar o mundo. O Brasil é o único país da América Latina representado na seleção, que inclui experiências nos Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Malásia, Egito, Djibuti e Chile.

Realizado em parceria com a

Universidade de Brasília (UnB)

, a

Universidade Agrícola da China (UAC)

e a Associação Internacional para a Cooperação Popular (Baobab), o projeto integra a publicação IA da China em Benefício do Mundo (2026), que reúne estudos de caso sobre aplicações da tecnologia em diferentes áreas.

O conjunto de iniciativas foi divulgado na

Conferência Mundial de Inteligência Artificial (CMIA)

, em Xangai, de 17 a 20 de julho, na sequência do discurso do presidente Xi Jinping na sessão de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (OMCI), da qual o Brasil passou a fazer parte com outros 28 países.

Ao Brasil de Fato, a dirigente do MST, Glaucia Back, considerou o marco como “um reconhecimento da importância da agricultura camponesa brasileira para os chineses”.

A publicação dos dez estudos de caso é uma iniciativa da CNDR, um dos principais órgãos da estrutura de governo chinesa, responsável por coordenar o planejamento econômico estratégico do país, elaborar os

Planos Quinquenais

e traduzir as metas do governo em projetos concretos.

Participaram da edição o Ministério da Educação, o Ministério de Ciência e Tecnologia e a Administração Nacional de Dados da China.

Laboratório Digital

O Laboratório de Agroecologia Familiar Digital faz parte do Centro Brasil-China de Pesquisa, Desenvolvimento e Promoção de Tecnologia em Mecanização para Agricultura Familiar. O espaço foi inaugurado em novembro de 2024, com a participação do Ministério

da Educação da China

e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil.

No lançamento, João Pedro Stedile, da direção nacional do MST, ressaltou os desafios da agricultura familiar brasileira, que reúne mais de 5 milhões de agricultores.

“A fome não se combate apenas com a distribuição de cestas básicas, mas com a produção de alimentos saudáveis. Quem produz alimentos são os agricultores”, afirmou. “Os chineses são mais do que nossos amigos, são nossos companheiros”, disse o dirigente em referência às parcerias sino-brasileiras.

Big data nos assentamentos

A plataforma do Laboratório, desenvolvida pela estatal chinesa

Sinomach Digital

, integra sensores instalados nos campos para monitorar temperatura, umidade do solo e presença de pragas, além de maquinário com rastreamento em tempo real.

Os dados são transmitidos por estações-base do sistema de posicionamento por satélite BeiDou, desenvolvido pela China — equivalente ao GPS –, e chegam ao celular ou computador do gestor. Com alguns cliques, é possível acionar a irrigação de uma parcela ou ajustar a operação de equipamentos a quilômetros de distância. Na China, essa plataforma já monitora mais de 2 milhões de tratores e beneficia dezenas de milhões de agricultores.

Representantes da Universidade Agrícola da China, Universidade de Brasília e Baobab, durante inauguração do Centro Brasil-China para Agricultura Familiar, em julho de 2024. | Crédito: Arquivo MST

A área experimental da UnB fica na

Fazenda Água Limpa (FAL)

, com cerca de 20 hectares no entorno de Brasília. Os pesquisadores do laboratório desenvolvem algoritmos de IA para interpretar as características de crescimento de cultivos de milho e hortaliças e gerar planos de plantio personalizados com base nas condições de solo, clima e controle de pragas de cada talhão, segundo a publicação. Os dados são armazenados e analisados no próprio Parque Científico Tecnológico da UnB (PCTec), no campus Darcy Ribeiro.

Resultados

No cultivo de milho em larga escala no Brasil, as soluções tecnológicas da equipe sino-brasileira podem elevar a eficiência produtiva em quase 200%, segundo a publicação. O programa já beneficiou mais de mil agricultores, segundo a Sinomach Digital.

Em entrevista à CCTV, Wang Yuhang, gerente-geral da Sinomach Digital, afirmou que “existe um desequilíbrio no desenvolvimento do Sul Global” e que o programa busca “contribuir para diminuir essa diferença”. O modelo já está sendo replicado na Tailândia e Bielorrússia, segundo a empresa.

Próximos Passos

A estratégia do Laboratório de Agroecologia Familiar Digital se integra a uma perspectiva mais ampla de digitalização da Reforma Agrária Popular, “que vem ganhando corpo no chão dos assentamentos”, explica a coordenadora da Baobab para o Brasil, Bárbara Loureiro.

Além dessa parceria, o MST e a Sinomach Digital também estão construindo o Centro de Serviços de Máquinas Agrícolas Inteligentes, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A iniciativa vai funcionar em duas áreas: 100 hectares da

Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização (Copacon)

, no assentamento Eli Vive, em Londrina (PR), e 20 hectares da Cooperativa da Terra, em Itapeva (SP), voltados principalmente à produção de milho e feijão.

“São tecnologias que até pouco tempo estavam reservadas ao agronegócio. Agora, geridas pelas próprias cooperativas,


Matéria publicada originalmente em Gama Livre: https://www.gamalivre.com.br/2026/07/cooperacao-sul-sul-iniciativa-do-mst.html

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